Quem nunca teve um .tk?
Se você busca domínios gratuitos há algum tempo, com certeza já esbarrou no .tk ou na Freenom. Por muitos anos, foi a forma mais conhecida e fácil de conseguir um domínio próprio sem pagar nada. Era simples: entrava no site, escolhia o nome, e pronto — seu endereço gratuito estava criado.
Mas de uns tempos para cá, sumiu. Deixou de funcionar. E quando voltou, já não era mais gratuito. Neste artigo eu vou te contar toda a história: de onde surgiu, por que fez tanto sucesso, o que deu errado e, principalmente, por que não é mais possível registrar domínios de graça por lá.
Tudo começou com o Dot TK
Há muitos anos, antes de se chamar Freenom, o serviço se chamava Dot TK. A extensão .tk pertence a Tokelau, um pequeno território da Nova Zelândia, formado por três ilhas no Pacífico, com pouco mais de 1.400 habitantes.
No ano 2000, um empresário holandês chamado Joost Zuurbier fez uma proposta ao governo de Tokelau: ele cuidaria da extensão .tk e permitiria que pessoas do mundo todo registrassem domínios de graça. Em troca, o projeto geraria renda para o território. Assim nasceu o Dot TK.
A ideia era brilhante: oferecer domínios gratuitos para qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo. E funcionou. O .tk virou febre. Em pouco tempo, milhões de domínios foram registrados. Era a forma mais fácil de ter um endereço próprio sem pagar nada.
Do Dot TK nasceu a Freenom
Com o sucesso do .tk, o projeto cresceu e ganhou outras extensões gratuitas. Passou a se chamar Freenom, e além do .tk, oferecia também:
- ✅ .tk — Tokelau
- ✅ .ml — Mali
- ✅ .ga — Gabão
- ✅ .cf — República Centro-Africana
- ✅ .gq — Guiné Equatorial
A promessa era a mesma: domínio gratuito, para sempre, sem pegadinhas. Você podia apontar para qualquer hospedagem, usar com SSL, tudo igual a um domínio pago. Parecia perfeito. E por muitos anos, foi perfeito. Funcionava bem, era confiável e não custava nada.
O lado ruim do “tudo gratuito”
Com o tempo, o próprio sucesso virou o problema. Como era gratuito, muitas pessoas começaram a usar para coisas erradas:
- 🚫 Sites de phishing (páginas falsas roubando dados)
- 🚫 Sites de spam e conteúdo duplicado
- 🚫 Páginas copiando marcas famosas (Facebook, Google, etc.)
- 🚫 Milhões de domínios registrados em massa sem uso
Um estudo de 2021 mostrou que cinco das dez extensões mais usadas para ataques na internet eram justamente as da Freenom. Ou seja, o modelo gratuito atraía muita gente boa, mas também atraía muita gente má.
O estopim: a ação da Meta (Facebook)
A situação ficou insustentável quando, em março de 2023, a Meta — dona do Facebook — processou a Freenom pedindo cerca de 500 milhões de dólares por violação de marcas. A acusação era de que milhares de domínios falsos copiavam nomes como “facebook-login.com” e semelhantes, usando as extensões gratuitas da Freenom.
Com o processo, em março de 2023 a Freenom simplesmente parou de aceitar novos registros gratuitos. Disse que era um problema técnico no site, mas a realidade era clara: a pressão jurídica era insuportável.
O colapso total: fim das contagens gratuitas
A partir dali, tudo desmoronou:
- ⛔ Março de 2023: Novos registros suspensos
- ⛔ Junho de 2023: O governo do Gabão tomou de volta a extensão
.ga - ⛔ Novembro de 2023: A ICANN cortou a credencial da Freenom como registrador
- ⛔ Fevereiro de 2024: A Freenom anunciou que iria sair do ramo de domínios definitivamente
- ⛔ A extensão
.mltambém foi tomada de volta pelo governo do Mali
Cerca de 12,6 milhões de domínios simplesmente pararam de funcionar ou ficaram sem renovação. Quem tinha site hospedado em domínios gratuitos da Freenom perdeu tudo sem aviso prévio.
O retorno — mas sem a parte gratuita
Em meados de 2026, a Freenom voltou a aceitar registros, mas com uma diferença crucial: não é mais gratuito. Agora as extensões .tk, .cf e .gq são vendidas a partir de cerca de € 8,22 por ano. Ou seja, voltou, mas acabou a graça.
As extensões .ga e .ml nem voltaram — foram tomadas pelos governos originais e agora são administradas por outras empresas, sem modelo gratuito.
Resumo: por que acabou?
| Causa | Explicação |
|---|---|
| 📜 Processo da Meta | Facebook processou por violação de marcas e phishing |
| 🐟 Uso indevido | Domínios gratuitos viraram alvo de golpes e phishing |
| 🏛️ Governos tomaram de volta | Mali e Gabão recuperaram controle de .ml e .ga |
| ⚖️ Perda de credenciamento | ICANN cortou autorização de funcionamento |
| 💰 Modelo pago agora | Voltou em 2026, mas tudo pago — acabou a gratuidade |
Lição que fica
A história da Freenom é triste e ao mesmo tempo importante. Mostra que se algo é gratuito, é porque você pode ser o produto. E quando o modelo gratuito atrai malfeitores em massa, a estrutura inteira desaba.
Se você tinha um domínio .tk, .ml ou .ga e perdeu, saiba que não foi culpa sua nem de má configuração — foi o fim de um modelo que não resistiu aos abusos.
O que usar no lugar?
Hoje, infelizmente, não existe mais nenhum serviço confiável que ofereça domínios totalmente gratuitos permanentes. As alternativas que restam são:
- ✅ Subdomínios de plataformas (seu.github.io, seu.netlify.app) — gratuitos e confiáveis
- ✅ .is-a.dev — gratuito para desenvolvedores
- ✅ Comprar um domínio pago — a partir de R$ 40/ano (.com.br) ou R$ 30/ano (.com)
💡 Meu conselho: Se você quer algo sério, vale a pena juntar uns R$ 40 e comprar um
.com.br. Não vai desaparecer do nada, não depende de terceiros e o Google confia muito mais.




